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Derrubada dos mastros no “Domingo do Senhor” marca o encerramento do Ciclo do Marabaixo 2026, em Macapá

Com apoio da Prefeitura, a programação fortaleceu a cultura afro-amapaense durante mais de dois meses de celebrações nos barracões culturais da capital e dos distritos

Por Jorge César - Secretaria Municipal de Comunicação Social

Foto: Ana Clara Maciel – Semcom/PMM

O som das caixas, o giro das saias e a emoção de centenas de marabaixeiros marcaram neste domingo, 7, o encerramento oficial do Ciclo do Marabaixo 2026. A tradicional derrubada dos mastros, realizada nos barracões culturais de Macapá e dos distritos, simbolizou o fim das festividades que movimentaram a capital desde o Sábado de Aleluia, em 4 de abril.

Fotos: Ana Clara Maciel – Semcom/PMM

Considerado um dos momentos mais significativos da manifestação cultural, o ritual da derrubada dos mastros reuniu comunidades inteiras em celebrações marcadas pela fé, devoção e preservação das tradições ancestrais. Ao todo, sete barracões culturais participaram do ciclo, sendo cinco na área urbana de Macapá e nos distritos.

Após a retirada dos mastros, as rodas de marabaixo tomaram conta dos espaços culturais. Entre cantos, danças e o toque característico das caixas, famílias de diferentes gerações celebraram a continuidade de uma das mais importantes expressões culturais do estado, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

A Presidente do Instituto Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Improir), Elísia Congó, que também é coordenadora do Barracão Dica Congó, destacou a importância da união entre tradição, fé e apoio institucional para a realização da programação.

Presidente do Instituto Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Improir), Elísia Congó |Foto: Ana Clara Maciel – Semcom/PMM

“O ciclo do Marabaixo é um momento de muita fé, tradição e devoção para todos nós que somos Marabaixeiros, e o prefeito de Macapá, Pedro DaLua, compreendendo o valor dos festejos para a nossa tradição, nos ajudou para que a festividade acontecesse. Toda a comunidade está feliz, em festa e muito agradecida por todo o apoio da gestão municipal.”, afirmou.

Ao longo de toda a programação, o Ciclo do Marabaixo promoveu uma série de atividades voltadas à valorização da cultura afro-amapaense. Escolas da capital receberam visitas de grupos culturais, proporcionando a estudantes e à comunidade a oportunidade de conhecer a história, os símbolos e os significados da manifestação.

Entre as ações realizadas este ano, teve a II Corrida do Ciclo do Marabaixo, promovida no início de junho. O evento destacou o Marabaixo como símbolo de resistência, identidade e pertencimento do povo amapaense, ampliando a participação popular nas celebrações.

Durante todo o ciclo, os barracões também receberam apresentações gratuitas de música, dança e teatro, fortalecendo o intercâmbio cultural e aproximando moradores e visitantes das tradições centenárias preservadas pelas comunidades marabaixeiras.

De acordo com a tradição, os mastros foram erguidos no início das festividades e permaneceram hasteados durante todo o período das celebrações, sendo derrubados apenas no “Domingo do Senhor”, data que marca o encerramento oficial do ciclo.

No Barracão Raimundo Ladislau, no bairro Laguinho, a programação também foi marcada por muita música, dança e religiosidade. Para o presidente da Associação Cultural Raimundo Ladislau, Joaquim Ramos da Silva, cada etapa do ciclo carrega significados históricos e espirituais que atravessam gerações.

Presidente da Associação Cultural Raimundo Ladislau, Joaquim Ramos da Silva |Foto: Ana Clara Maciel – Semcom/PMM

“Esse ciclo realizado anualmente tem muitas funções que a gente desenvolve. Temos o Domingo de Páscoa, logo após a Semana Santa, que é o primeiro marabaixo do ano. Depois vêm o Sábado e o Domingo do Mastro, quando buscamos os mastros nas matas do Curiaú. Cada momento tem um significado muito importante para a nossa tradição”, explicou.

Além de encerrar a programação festiva, a derrubada dos mastros reafirma a força de uma manifestação cultural que resiste ao tempo e segue sendo um dos principais símbolos da identidade do povo amapaense, mantendo vivas as raízes, a memória e a fé das comunidades tradicionais do estado.