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“Eu vim aqui e consegui o acesso facilitado para colocar o DIU”, diz moradora da comunidade Tessalônica em atendimento do Projeto Flor de Dandara

A ação é uma colaboração entre o Improir e a Semsa, com o objetivo de ampliar a oferta de atendimentos em saúde para mulheres que vivem nas comunidades quilombolas

Por Elessandra Barsottelli - Instituto Municipal De Políticas De Promoção Da Igualdade Racial

Na manhã desta terça-feira (26), a comunidade da Tessalônica, localizada a 50 km quilômetros de Macapá, recebeu equipes do Instituto Municipal De Políticas De Promoção Da Igualdade Racial (Improir) e da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) para mais uma ação do Projeto Flor De Dandara.

A ação aconteceu na Unidade Básica de Saúde (UBS) Tessalônica, onde foram realizadas consultas médicas, testes rápidos e procedimentos de inserção de dispositivo intrauterino (DIU), garantindo para as mulheres da região acesso a métodos anticoncepcionais mais seguros e eficazes. O projeto busca garantir não apenas acompanhamento médico, mas também a promoção da igualdade racial e do direito à saúde em comunidades mais afastadas da capital.

Alana Correa, diretora do Departamento de Equidade no Cuidado da Semsa e destaca que o acesso à informação é essencial para o planejamento familiar. A colaboração entre o Improir e a Semsa visa reforçar o atendimento pré-natal e assegurar o acompanhamento completo das mulheres que vivem nas comunidades quilombolas dos distritos da capital como Tessalônica, Mel da Pedreira, Maruanum, Ilha Redonda, São Joaquim do Pacuí, Curiaú, Coração, São Pedro dos Bois e Torrão do Matapi.

Alana Correa, diretora do Departamento de Equidade no Cuidado | Foto: Jesiel Braga

“É mais uma prestação de cuidados, de assegurar direitos reprodutivos das mulheres. Nesse projeto elas vão passar por diversos cuidados, orientações sobre a inserção do DIU, como funciona, quais os cuidados e recomendações necessárias”, destaca Alana.

De acordo com Cristina Almeida, diretora do Improir,  a garantia do direito reprodutivo da mulher negra também faz parte do plano municipal de promoção da igualdade racial e do projeto Flor de Dandara.

Cristina Almeida, diretora presidente do Instituto Municipal De Políticas De Promoção Da Igualdade Racial | Foto: Jesiel Braga

“Se não enfrentarmos o racismo, não conseguiremos progredir em nenhuma política pública porque impacta nesse processo de melhor qualidade de vida e no planejamento familiar, principalmente para as mulheres negras. Então as ações do Flor de Dandara vem justamente na afirmação dessas políticas”, ressaltou a diretora.

Atendimento de triagem para procedimento de inserção de DIU de cobre | Foto: Jesiel Braga

O projeto irá realizar serviços em 9 comunidades quilombolas. Rayane Santos, moradora da região conta que a facilidade foi o principal incentivo para participar do projeto. “Eu vim aqui e consegui acesso facilitado para colocar o DIU e rápido até, porque as vezes tem tanta dificuldade que a gente acaba desistindo no caminho mas aqui recebi um atendimento muito bom ”, declarou a moradora.

Rayane Santos, moradora local em consulta médica | Foto Jesiel Braga
Foto: Jesiel Braga

O que é o Projeto Flor de Dandara?

Lançado em março de 2025, o projeto é organizado em cinco frentes de atuação. O Flor de Dandara reúne medidas como o pré-natal humanizado, a oferta de suplementação nutricional e o enfrentamento ao racismo estrutural e à violência obstétrica. Além disso, garante apoio psicológico para gestantes e mulheres no pós-parto. O projeto também promove a capacitação de profissionais em reanimação neonatal e focando no bem-estar emocional e psicológico da mulher durante a gestação, ao mesmo tempo em que incentiva atividades físicas e oficinas de geração de renda, fortalecendo a autonomia e independência feminina.

Com uma estratégia unificada e focada nas comunidades, o projeto visa tanto prevenir mortes maternas evitáveis quanto fortalecer o protagonismo de mulheres negras, expandindo o acesso à informação, aos direitos e às redes de apoio.